Ensaio Sobre a Cegueira – Resenha Crítica

Ficha Técnica

 

Diretor – FERNANDO MEIRELLES

Roteirista – DON MCKELLAR

Baseado na obra de – JOSÉ SARAMAGO

Produtores – NIV FICHMAN, ANDREA BARATA RIBEIRO, SONOKO SAKAI

Produtores Executivos – GAIL EGAN, SIMON CHANNING WILLIAMS, TOM YODA, AKIRA ISHII, VICTOR LOEWY

Co-produtores – BEL BERLINCK & SARI FRIEDLAND

Cinematografia – CÉSAR CHARLONE ABC

Production Designer-TULÉ PEAKE

Montagem – DANIEL REZENDE

Figurino – RENÉE APRIL

Música de – MARCO ANTONIO GUIMARÃES/UAKTI

Elenco – SUSIE FIGGIS & DEIRDRE BOWEN

Produção- O2 FILMES / RHOMBUS MEDIA / BEE VINE PICTURES

Distribuição – FOX

Sinopse: Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de “cegueira branca”, já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.

O filme Ensaio Sobre a Cegueira é do diretor Fernando Meirelles e foi adaptado da obra homônima de José Saramago. Na trama, uma epidemia é espalhada pela terra onde os infectados ficam cegos, mas neste caso, a cegueira é branca e não negra, como a que conhecemos.

Entre os acontecimentos da trama, gosto de pensar que o autor quis fazer uma crítica ao ser humano, fazendo com que seu instinto animal floresça em determinadas situações. Entre as interpretações, há quem acredite que se trata do fim do mundo e da punição de Deus contra os homens, outros tem como hipótese que o homem precisa ficar cego para poder realmente enxergar, ou seja, enxergar além das aparências.

Um ponto importante no livro é que os personagens não têm nomes, eles são identificados por acessórios (óculos, venda preta, etc.), esta estratégia usada pelo autor exalta o comportamento dos personagens, já que o que interessa naquele momento não são aparências, e sim os seus comportamentos e valores. Por exemplo, em uma das cenas do filme um dos personagens está andando em fila segurando em um companheiro e diz que o “bandido do filme” é negro, simplesmente pelo seu comportamento, deixando transparecer a visão preconceituosa que ele tem. No entanto, seu guia e companheiro é negro.

A aparência no filme é o que menos importa o que vale são os valores já interiorizados de cada um. A personagem da Julianne Moore (a única que enxerga na trama) é a quem cuida de todos que estão alí.  E, mesmo após ser traída pelo marido, ela não demonstra em nenhum momento ressentimento por nenhum dos dois. Ela é solidária e tem compaixão valores essenciais para o perfil da personagem.   Já, os personagens que exploram os outros no filme revelam o modelo inverso, aproveitam da situação para tirar vantagem, e pior, de forma extremamente suja e cruel, ou seja, mesmo em situções comuns antes da cegueira eles não possuíam nenhum tipo de valor, provavelmente já tinham um comportamento duvidoso, isto só piorou com a epidemia.

Quando acontece esse tipo de situação na qual toda a sociedade perde um dos sentidos mais importante na qual está totalmente baseada (por exemplo: vivemos sempre em busca da aparência perfeita, seja física, profissional, amorosa, etc.), o que irá predominar é a barbárie, uma sociedade sem leis, na qual cada um tirará algum tipo de vantagem.  O filme ainda tem muitas outras cenas que poderiam ser interpretadas de formas variadas, mas sua  principal ideia é mostrar como o ser humano é mesquinho, e como a sociedade capitalista só se preocupa com as aparências. Entramos em nossas casas confortáveis, nos carros do ano, fazemos viagens ao exterior, buscamos o corpo perfeito e esquecemos facilmente da verdadeira essência da vida. Fingimos não ver o que é feio, o que é diferente, queremos tirar proveito de qualquer situação que nos beneficie não importando o quão prejudicial ela possa ser para os outros.

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