Orgulho e preconceito e Zumbis – minhas respostas para o guia de discussão para o leitor

Terminei nesta semana o livro Orgulho e preconceito e zumbis. Conforme o autor este livro é um rico estudo em múltiplos níveis sobre amor, a guerra e o sobrenatural. No final do livro havia algumas questões interessantes que dizem aprofundar a apreciação e prazer do leitor “com esse soberbo, trabalho da literatura clássica de zumbis”.

Antes de colocar minhas respostas para cada uma dessas questões, vou colocar uma sinopse básica do livro e o trailer do filme que deve ser lançado ainda este ano.

Sinopse – ‘É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros.’

Assim começa ‘Orgulho e preconceito e zumbis’, uma releitura trash do popular romance de Jane Austen. A abertura dessa cultuadíssima versão de Seth Grahame-Smith para a obra do século XIX já destaca as surpresas geradas pela praga misteriosa que se abateu sobre os campos aristocráticos do Sul da Inglaterra, onde os defuntos estão retornando à vida e partem crânios de pessoas comuns para devorar seus miolos.

No romance clássico, a autora iniciava a saga das casadouras irmãs Bennet com o aviso: ‘É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma grande fortuna, deve estar em busca de uma esposa.’ Agora, porém, no tranquilo vilarejo de Meryton, nossa heroína, a guerreira Elizabeth Bennet, treinada nos rigores das artes marciais, está determinada a eliminar a ameaça zumbi. Até que sua atenção seja desviada pela chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy. Ela conseguirá superar os preconceitos sociais dos grandes aristocratas ingleses, tão ciosos e orgulhosos de seus privilégios?

Grahame-Smith transfigura as famosas passagens do texto de Jane Austen numa deliciosa comédia de costumes. Além dos embates civilizados e repletos de cortesia entre o casal de protagonistas, inclui batalhas violentas, em confrontos cheios de sangue e ossos quebrados. Conjugando amor, emoção e lutas de espada com canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição, ‘Orgulho e preconceito e zumbis’ transforma uma obra-prima da literatura mundial em outra história que você realmente terá vontade de ler.

 

  1. Muitos críticos têm destacado a natureza dupla da personalidade de Elizabeth. Por um lado, ela pode ser uma assassina selvagem e sem remorsos, como podemos notar em sua vitória sobre os ninjas de Lady Catherine. Mas, por outro lado, ela pode ser mostrar terna e compassivas, como nas relações com Jane, Charlotte e os janotas que rondam a propriedade da família. Em sua opinião, qual dessas “metades” melhor representa a verdadeira Elizabeth no início – e no fim do romance?

Acredito que como todo personagem feminino de qualquer romance, Elizabeth é uma mulher forte, determinada, no entanto não deixa de ter traços femininos e comuns às mulheres por exemplo: amor, devoção, romantismo, delicadeza e etc. Assim como Jane que apesar de ser muito mais terna e compassiva que Elizabeth também ter as habilidades ninjas, Elizabeth mantêm do início ao fim esse mesmo padrão, não é porque é uma assassina sem remorso que não possa amar. Lembrando que, Elizabeth em nenhum momento matou simplesmente porque quis, ou porque achou que a pessoa não deveria viver, ela matou apenas quando foi desafiada, ou quando foi extremamente necessário.

 

  1. O Sr. Collins é apenas muito gordo e estúpido para se dar conta da transformação gradual da mulher dele em zumbi, ou poderia haver outra explicação para sua deficiência em reconhecer o problema? Se for assim, qual poderia ser a explicação? Como sua ocupação (pastor) poderia estar relacionada com a negação do óbvio ou a decisão de enforcar-se?

Acredito que Sr. Collins realmente seja muito estúpido para se dar conta da transformação de Charlotte, é possível ver isso quando ele insiste em pedir Lizzy em casamento, mesmo ela tendo negando anteriormente. Ele acredita, unicamente, que as mulheres têm tendências a dizer sim quando dizem não. Quanto a decisão de enforcar-se acredito que fique claro sua decepção ao perceber que a mulher se foi e que provavelmente não iria arranjar outra para se casar, talvez neste momento ele tenha percebido que ela tenha se casado com ele apenas por ter sido mordida e, sendo assim, preferiu negar a situação e morrer “por amor” já que a havia perdido.

  1. A estranha praga tem sido o flagelo da Inglaterra por 55 anos. Porque os ingleses permanecem lá e lutam em vez de retirarem para a segurança do Leste europeu ou da África?

Assim como todo patriota, os ingleses se acham no direito de lutar por sua terra. E não iriam abrir mão apenas por causa de alguns zumbis, sem dúvida ir para outra região seria uma boa escolha, no entanto até onde eles seriam bem-vindos, ou será que conseguiriam tirar a terra de outros países para criar uma “Nova Inglaterra”? Ou teriam que travar lutas onde provavelmente mais zumbis apareceriam? Acho que ficar e lutar pela sua terra era a mais sábia das decisões,

  1. Quem tem o destino mais lamentável: Wickham, paralítico em um seminário para aleijados, sempre se borrando e estudando enormes livros das escrituras? Ou Lydia, privada do convívio com a família, casada com um inválido, e sem filhos, embora condenada a trocar fraldas sujas para sempre?

Não é possível criar uma conclusão sem ter algum tipo de empatia pelos dois personagens. No entanto, em vista de toda a vida de pilantragem do Sr. Wickham e a ingenuidade de Lydia, sabemos que quem realmente saiu perdendo foi Wickham. Lydia, mesmo tendo de cuidar de seu marido e ficar longe de sua família, meio que se livrou de um status de encalhada, ela tem, finalmente uma vida de casada, sonho de sua vida. Já wickham, além de perder a liberdade, ficou aleijado, e necessitando de cuidados de outros. Além de ter entrado em um seminário, destino que fugiu a vida toda.

  1. Devido à impetuosa independência, devoção ao exercício e predileção por botinas, alguns críticos consideraram Elizabeth Bennet “a primeira lésbica literária”. Você considera que, para esses autores isso significa que ela seja gay? Caso seja assim, como essa guinada sáfica serviria para explicar as relações de Elizabeth com Darcy, Jane, Charlotte, Lady Catherine e Wickham?

Não acho que tenha a ver com sua orientação sexual, no entanto é comum que naquela época, uma mulher que não quisesse se casar, não fosse tão romântica ou não zelasse sua vida exclusivamente para o amor de um homem, fosse chamada ou reconhecida como lésbica. A sociedade confunde, até hoje os termos feministas com lésbicos, porque uma mulher não pode lutar pelos seus direitos e gostar de homens ao mesmo tempo.

  1. Alguns críticos sugeriram que os zumbis representam a visão dos autores sobre o casamento – uma infindável praga que absorve a energia vital das pessoas sem, contudo, matá-las. Você concorda, ou tem outra opinião sobre o simbolismo dos não mencionáveis?

Acredito pura e sinceramente que os zumbis representem os zumbis mesmos, ou seja, uma pessoa morta reanimada, que vive a perambular e a agir de forma estranha e instintiva, um morto-vivo. Quanto o casamento ser “uma infindável praga que absorve a energia vital das pessoas sem, contudo, matá-las”. Existem pessoas que acreditam na frase: “Casamento é uma instituição falida”, mas acredito que não existe nada falido que não represente apenas um estado de espírito das pessoas envolvidas. Existem muitos porquês de verem, ou enxergarem problemas no casamento, mas ao meu ver todo o problema vem de que as pessoas de modo geral estão mais precipitadas para começar algo e terminar. Elas não se preparam para longas jornadas, não fazem poupança ou pensam em decisões que impactam sua vida para além de dois anos, prazo de durabilidade dos casamentos da atualidade.

  1. O Sr. Bennet tem alguma qualidade que possa redimi-lo?

Acho que em nenhum momento o Sr. Bennet demonstrou-se uma má pessoa, como pai ele sempre pensou no bem físico de suas filhas e fez de tudo por isso. O que houve com Lydia não deixou de ser por culpa dela mesma, e se ele não tivesse feito isso, nem suas filhas nem sua esposa teriam aprendido a lição.

  1. O vômito tem um papel importante em Orgulho e preconceito e zumbis. A Sra. Bennet vomita frequentemente quando está nervosa, os cocheiros vomitam enojados quando testemunham os zumbis se banqueteando com os cadáveres e mesmo a firme Elizabeth não consegue conter o vômito ao ver Charlotte engolindo o próprio pus sangrento. Os autores pretenderiam fazer com que toda essa regurgitação simbolizasse algo maior ou é apenas um truque barato para fazer rir?

Pura representação da raça humana, somos assim enojados, não seria difícil de encontrar pessoas vomitando em um ataque zumbi. Mas a Sr. Bennet apenas utiliza desse método para chamar atenção e obter ajuda quando há um problema em sua família.

  1. A oposição de Lady Catherine a Elizabeth (como noiva do sobrinho dela) refere-se apenas à inferioridade social e financeira de Elizabeth? Ou poderia haver outra explicação? Ela poderia estar intimidada pela habilidade de Elizabeth nas lutas? Poderia nutrir uma paixão secreta por Darcy? Ou ela está triste com as deficiências da própria filha?

Lady Catherine alimenta sim um amor pelo Sr. Darcy e é perceptível que as doenças de sua filha a decepciona de forma que ela dúvida das habilidades de Elizabeth e também faz questão de rebaixá-la. Acredito que seja aquele simples caso psicológico onde a pessoa rebaixa a outra para se sentir bem com ela mesma.

  1. Alguns acadêmicos acreditam que os Zumbis foram acréscimos de última hora ao romance, solicitados pelo editor em uma desavergonhada tentativa de aumentar as vendas. Outros argumentam que as hordas de mortos-vivos são integrantes da trama e da crítica social de Jane Austen. Qual a sua opinião? Você consegue imaginar o que esse romance poderia ser sem a ultraviolenta confusão dos zumbis?

Pesquisando descobri que uma lenda, ainda de origem desconhecida, foi disseminada no início do século XVI na Europa Ocidental. Um indivíduo chamado Alexander Zombie, que sofria de narcolepsia, foi dado como morto. Poucas horas antes do enterro, Alexander acordou. Dali em diante, diversas menções a “Zombie” eram feitas a fenômenos de pessoas que voltavam da morte. Mas nada de uma praga onde vários voltavam a vida. Acho que essa versão com Zumbis foi algo lançado apenas para aproximar os jovens de literaturas clássicas e não poderia estar nos originais de Jane Austen devido a ideia que ela tinha para seus romances serem totalmente diferentes.

 

Para entender mais sobre essa versão: Orgulho e preconceito e Zumbis: uma versão de Jane Austen para o público juvenil contemporâneo

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