O gato mal

Mesmo sendo comprovado que gatos são tão bons companheiros quanto os amigos número 1 do homem, os cachorros. Muitos acreditam que os gatos são egoístas, não demonstram amor, não se importam com seu dono e muito mais. Neste post, seguindo o pedido do meu irmãozinho, vou falar sobre o maltrato aos animais, exclusivamente o maltrato e o preconceito a esses felinos tão fofos, os gatos.

Eles são fofos, dóceis, independentes e brincalhões. Até mesmo os gatos pretos que sobrevivem a séculos de rejeição da sociedade contêm todas essas qualidades e muitas outras.  Para entender um pouco sobre essa crença vamos ver através da história qual papel os gatos desemprenharam.

 

O Gato na História

Por volta de 10.000 anos atrás, os gatos surgiram nos grupos humanos com a função natural de exterminar os roedores que rondavam os estoques de grãos. Entre os egípcios, era comum que várias divindades assumissem partes do corpo de um gato. Bastet, a deusa egípcia da fertilidade e do amor materno, era comumente representada por uma mulher com cabeça de gato. Observando os vários registros de imagem organizados pelos egípcios, podemos ver que os gatos perambulavam pela corte e não tinham cerimônia algum em se aproximar de qualquer indivíduo pertencente àquela civilização.

Bastet

No desenvolvimento da Era Cristã, a boa relação com os gatos foi perdendo espaço para um verdadeiro processo de demonização do animal. Alguns estudiosos dizem que tal modificação aconteceu porque os pagãos cultuavam os gatos e, também, porque os muçulmanos tinham o animal em boa conta.

Por volta do século XIII, a relação entre os gatos e as religiões pagãs logo se orientou para a construção de uma imagem demoníaca do animal. Em uma de suas várias bulas, o papa Gregório IX determinou que os gatos fossem terminantemente exterminados. A paranoia causada pela Inquisição acabou tendo um preço elevado, já que a diminuição da população felina acabou ajudando na propagação dos roedores que transmitiram a Peste Negra em diversas regiões da Europa.

Com o passar do tempo, essa visão mística e preconceituosa perdeu lugar para o prazer advindo da domesticação desses pequenos animais.

 

O gato preto

Conta a lenda que, um feiticeiro tinha um caso com a mulher de seu cliente. Seu cliente descobriu e jurou matá-lo. Um dia então, o feiticeiro aparece morto e o assassino também. Mas o curioso é que o assassino foi morto com um arranhão de gato no pescoço e na cena do crime estava um gato. Um garotinho acha o gato e diz para mãe que o gato falou para ele que seu nome é sinistro. A mãe deixa o filho ficar com o gato, só que coisas estranhas começam a acontecer. Até que um dia, a mulher leva um homem para casa e o gato não gosta. O gato espera até o homem ficar sozinho e o ataca com unhas e dentes o pescoço do homem. O homem desmaia e a mulher pega um crucifixo e aponta para o gato. A alma do feiticeiro é destruída. Segundo a lenda, a alma que ela tirou do gato ficou vagando até encontrar outro gato preto.

Tea

Na Idade Média os gatos pretos eram considerados bruxas transformadas em animais. Isso gerou a crença de que cruzar com um gato preto na rua traz má sorte. Desde então, o gato preto ficou associado à bruxaria, às trevas, à magia negra e ao diabo.

Atualmente

Até hoje os gatos sofrem grande preconceito por parte de pessoas que acreditam em crenças populares. É comum ouvirmos pessoas falando que gatos são egoístas, não respeitam o dono, não demonstram amor, entre outros. Entretanto, a capacidade de associar independência e sociabilidade faz do gato um tipo de companhia agradável e, ao mesmo tempo, intrigante. Em diversos textos literários esse animal é descrito por uma minúcia de virtudes que o colocam em uma posição privilegiada.

É comum que gatos atuem como animais de companhia, auxiliando no tratamento da depressão em seres humanos. Estudos científicos indicam que existe uma redução de 30% no risco de ocorrências de infartos nas pessoas que têm gatos como animais de estimação. Isso ocorre porque o convívio com esses pequenos felinos minimiza o nível de estresse.

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Há, inclusive, uma crença de que gato preto traga sorte. O Rei Charles I, da Inglaterra, tinha um gato preto e acreditava verdadeiramente que sua sorte estava ligada ao gato. Ele colocou inclusive guardas vigiando seu gato de dia e de noite para que nada acontecesse com o animal. Porém, o gato acabou morrendo e logo depois disso, o Rei Charles foi preso e executado.

O maltrato nos dias de hoje

Como vimos os gatinhos já foram muito maltratados no passado. Hoje em dia, tanto a Constituição, quanto a Lei de Crimes Ambientais garante que os animais não podem ser maltratados, abusados, feridos, etc.

Constituição Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

  • 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

 

Lei de Crimes Ambientais de nº 9.605/98 diz no Artigo 32: É crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

Pena e detenção: de três meses a um ano, e multa.

Parágrafo 1. Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

Parágrafo 2. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

Sendo assim, fica explícito que o maltrato de animais é crime.  Sabemos que os gatos são os mais judiados quando se fala de maltrato de animais. É comum, desde crianças, brincadeiras maldosas com os gatinhos das ruas. É até mesmo possível encontrar vídeos na internet sobre o maltrato desses bichanos.

É importante salientar que há diferença entre maltrato de animais e sacrifício de animais. Maltrato é um comportamento violento que causa dano físico ou psíquico, Sacrifício é uma oferenda ritual a uma divindade, ou seja, não envolve violência.

Sacrifício animal

Ao fazer esta matéria, cheguei em vários sites onde diziam sobre o Camdoblé, ou religiões africanas, fazerem rituais com gatos e maltratá-los. Mas não é bem assim que funciona. O sacrifício de animais é conhecido por muitas religiões e em sua maioria já foi feito algum tipo de sacrifício. Seja no passado ou no presente.

A Constituição Federal, no artigo: 5° VI, estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias

O candomblé, uma das religiões menos aceita no Brasil, esta parte do ritual é realizada por uma pessoa especializada no sacrifício, o Axogun. Ele não pode deixar o animal sentir dor ou sofrer porque a oferenda não seria aceita pelo Orixá. O objeto do sacrifício, que é sempre um animal, muda conforme o Orixá ao qual é oferecido; trata-se, ora de um animal de duas patas, ora de um animal de quatro patas, galinha, pombo, bode, carneiro.

Outra religião comum que faz o uso de animais é o Paganismo, assim como as touradas ibéricas, o kapparos no judaísmo, ou os procedimentos de abate ritual como o shechita ou ḏabīḥah, no judaísmo e no islamismo, respectivamente. Tudo isso você pode encontrar em pesquisas pela internet.

É importante colocar aqui que, não cabe a mim nem a você leitor julgar determinadas religiões por fazerem o uso de sacrifícios de animais para chegar até seus deuses. Devemos respeitar todo tipo de religião. E se esse ritual está sendo feito com cuidado e sem dor e sofrimento para o animal, ele está dentro da lei.

Espero que este post tenha esclarecido um pouco sobre o maltrato aos animais e que o preconceito em cima do gato possa diminuir.

Carole McCreary

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