O que as pessoas veem e o que realmente é – a interpretação que temos da sociedade

Estava assistindo o videoclipe da Sia – “Elastic Heart” e me lembrei dos comentários de quando ele foi lançado, acreditem já faz mais de ano e ainda tem discussão no Youtube.
Na época, lembro que muita gente achou repugnante o fato de Shia LaBeouf, um cara de 28 anos, estar dançando com a Maddie Ziegler uma garota de 13 anos. Muitos justificaram seu sentimento por associar o vídeo com pedofilia, mas será que é isso mesmo?

Como podem ver no vídeo, não existe sensualização, de fato. Existe sim uma dança, com uma forte expressão corporal. A música fala de um amor perdido, aparentemente o fim de um relacionamento.
Em entrevista para O Globo, diretor do clipe, Daniel Askill, disse: — Essas ideias jamais passaram pelas nossas cabeças. Quando vi esses comentários, não pude evitar a não ser pensar: “Que ridículo”. O vídeo pode ser interpretado de várias formas, mas é uma metáfora para as lutas que travamos na vida. As críticas são o resultado de pessoas projetando os seus próprios lados sombrios. Sinto pena delas.
Na verdade, o clipe teve inspiração na performance, intitulada “Eu amo a América e a América me ama” (1974), onde o artista alemão Joseph Beuys (1921-1986), se trancou numa sala com um coiote selvagem durante três dias. Nas últimas horas, o animal permitiu que o homem o abraçasse.
Existe uma frase que fala bem sobre isso:

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E por que isso acontece? Bom, vou mostrar a seguir alguns dos motivos.

1 – PONTO DE VISTA
O que faz o ponto de vista de uma pessoa ser diferente do ponto de vista de outra pessoa é a interpretação que uma e outra realiza daquele ponto. Nada influi o ângulo a que se mira o objeto e sim a interpretação que se faz daquele olhar. Para nossas mães e pais somos apenas crianças, para algumas pessoas com as quais nos relacionamos somos pessoas malvadas e para outras somos santos. E se formos mais profundos na questão, até mesmo quando nós nos olhamos, percebemos que ao mesmo tempo que somos tudo isso, não somos nada porque justamente não conseguimos nos olhar sem nos interpretar.

2 – INTERPRETAÇÃO
Quando procuramos no dicionário, interpretação nos leva a explicação, que nos leva a compreensão, que nos leva a entendimento e que, por fim, nos leva a capacidade de pensar. E pensar, evidentemente, é algo que eu crio e que não recebo já criado. “Penso, logo existo” – disse o filósofo. Mas se existo, quem existe? Existe as construções dos meus pensamentos acerca de mim mesmo ou existe algo além desses pensamentos a que me submeto? Quando penso uso a mente, mas e quando a deixo de usar, o que surge?

3 -SENTIMENTO POR TRÁS DO PENSAMENTO
Se sinto quem sou, destruo os pensamentos, por mais que também possa se dizer que meus sentimentos também são criação dele. Porém, se observar meus pensamentos e sentimentos, verei o porquê deles existirem. Com um passo atrás de mim mesmo verei o Marcos, os pensamentos do Marcos e as emoções do Marcos, entendendo seus porquês e observando aquilo que leva o Marcos para a felicidade contínua, até então impossível quando se vive rodeado de pensamentos que, como vimos, são apenas frutos de pontos de vista e não a realidade.

Veja alguns exemplos destes tipos de interpretação:

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Enfim, posso estar eu mesma tirando uma conclusão errada colocando minha realidade no vídeo – e neste assunto como um todo – e pegando apenas o que me faz sentido. Mas sei que uma reflexão sobre isso eu vou fazer.

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