Vem cá que eu te conto porque to solteira

Repost – Resiliência Mag

Primeiro tira da sua cabeça essa ideia vazia de achar que estou infeliz. Depois se despeça desse discurso de que quem muito escolhe acaba sendo escolhido. Quer saber porque estou solteira? Bom… Não quero embarcar em uma viagem com alguém carregando as  bagagens do passado, não quero conhecer outro mundo se ainda não consegui conhecer o meu.

Não quero machucar o coração de ninguém com as minhas incertezas, não quero falar do passado, nem lembrar dele. Não estou machucada, não estou magoada, só que de tanta coisa que acontece na vida da gente, chega uma hora que cansa entende? Não estou numa fase de sair “tentando” dar certo, quero que de certo sem ficar perdendo tempo com alguém que não perde um segundo pra me ligar e saber como estou.

Não quero investir meu tempo com alguém que não investe o seu em mim, que não se importa e que só machuca. Entende? Eu to feliz assim, pra que me decepcionar mais uma vez? E se eu quiser terminar de ver a minha lista de series? E se eu quiser viajar conhecer o mundo, aprender um novo idioma, conhecer novas pessoas, outros lugares…

Não estou esperando o príncipe encantado – eu sei que é isso que você pensa- e daí se ele não abrir a porta do carro pra mim e não vir em um cavalo branco? (risos)

E daí se ele não pagar a conta do jantar sempre que sairmos e querer ver um filme em casa porque está sem dinheiro pra sair? Eu sinceramente não estou esperando por isso. Não estou esperando alguém pra pagar a conta, não estou procurando alguém pra me levar pra sair todo dia, me levar de carro pra todo lugar e que sempre me de presentes.

Não quero jóias, roupas caras, perfumes caros, jantares caros, carro luxoso. Não é isso que procuro em alguém, até porque se pra você essa é a concepção de homem perfeito ( rico) se isso é o que caracteriza um príncipe, eu definitivamente prefiro sapos.

Quero alguém que eu diga: Vamos? – vamos!

Quero mais…  muito mais. Quero alguém que me inclua nos seus planos, que me irrite na mesma proporção que desperta o meu amor. Que seja inteiro, intenso não precisa ser perfeito. Quero alguém pra tomar um sorvete em um domingo a tarde e depois ver um filme pra não deixar o dia tão tedioso. Alguém que me respeite e respeite os outros. Alias respeito é algo fundamental. Pode me buscar de bicicleta eu não ligo, pode rachar a conta comigo eu não me importo. Pode escolher o filme e comprar o dogão eu vou adorar.

Eu to solteira porque relacionamento não é tentativa, não é oportunidade é investimento. Investimento de tempo. Eu to solteira porque talvez eu queira curtir essa fase sem ninguém, quero organizar a minha vida refazer meus planos. Eu to solteira porque estou bem assim, porque não quero alguém pra diminuir, quero alguém que venha para somar.

Então para com esse discurso chato de que preciso de alguém, para de me perguntar “Nossa mais você é tão bonita e ta sem ninguém?” para de querer me empurrar pra alguém, ficar passando meu telefone e querer dar uma de cupido, isso é extremamente chato, acredite. Quando eu tiver interesse eu vou atrás fique tranqüilo, pouco me importa se você acha isso inadequado para uma garota. Pode deixar que quando acontecer eu vou saber o que fazer, não precisa ficar me perguntando quando vou assumir ou trocar o status do facebook. Isso não lhe diz respeito. Eu to solteira porque sim, porque quero porque estou bem assim.

Eu to solteira porque chega uma hora que você cansa de acreditar, cansa de criar feridas e de se recompor. To solteira porque as vezes a gente precisa de um tempo só nosso e de não ter ninguém ocupando o nosso pensamento, travando o nosso tempo.

Se for pra namorar e só brigar, viver chorando, se magoando, se for pra namorar pra trair, pra sofrer, pra não ter respeito eu prefiro estar solteira. Se for pra namorar pra escrever textão no facebook mas na verdade viver uma mentira, eu prefiro estar solteira. Se for pra namorar pra ter alguém pela metade eu prefiro estar solteira. Se for pra namorar pra deixar de ser quem sou, ter que mudar meu jeito, meus gostos e não ter meus defeitos aceitos eu prefiro ficar solteira.

Eu to solteira porque mereço muito e quero muito. Estou solteira porque não quero alguém que faça do meu passado um presente e dos meus erros um açoite. Não, eu não quero qualquer coisa, qualquer pessoa, qualquer sentimento, qualquer história, qualquer frio na barriga… Eu to solteira porque não quero ninguém do meu lado pela metade, sou inteira demais pra isso. E pra finalizar, eu não estou escolhendo eu estou esperando. Esperando o tempo de Deus pra mim.

 

 

Dear White People, racismo velado e minhas considerações

Olá, voltei. E dessa vez estou aqui para falar sobre a série Dear White People, baseada no filme de 2014 de mesmo nome.

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Confesso que estava insegura de escrever sobre a série, pois não acho que tenha bagagem suficiente para dissertar sobre o assunto. Não só pelas inúmeras questões raciais que estou aprendendo agora e, apesar de ter sofrido racismo durante toda a minha vida, é complicado e difícil de explicar. Na verdade complicado falar sobre algo que você entende há pouco tempo. Ainda assim, vou tentar falar quais são minhas considerações.

Enquanto o filme concentra-se na escalada de tensões raciais em uma prestigiada faculdade da Ivy League na perspectiva de vários estudantes afro-americanos. A série ataca, de forma sarcástica, a ilusão de uma América pós-racial. O que me chamou atenção, e na verdade eu só fiquei sabendo depois de assistir a série é que em fevereiro a Netflix recebeu inúmeras avaliações negativas, foi chamada inclusive de ser anti-brancos e racista (vejam os comentários no trailer do Youtube). Isso tudo porque no teaser lançado no mesmo mês mostrava Samantha White, uma mulher negra que parece ser uma locutora de rádio e fala ao microfone uma lista de fantasias de Halloween que são totalmente aceitáveis para pessoas brancas “pirata, enfermeira, qualquer um dos primeiros 43 presidentes americanos…” e o topo da lista de fantasias inaceitáveis “eu“, seguida por inúmeras imagens de homens e mulheres brancos com o rosto pintado para parecerem negros.

A mensagem de Dear White People nesse teaser, é bem clara. É a critica a tradição da Blackface que começou no século XIX nos shows de menestréis, nos quais atores brancos se pintavam de preto usando carvão de cortiça para representar personagens afro-americanos de forma pejorativa. Dessa maneira, além de reforçar estereótipos racistas, a atitude também impedia que pessoas negras participassem de apresentações teatrais.

Dear White People é sobre racismo velado, explícito, e a relação entre os próprios militantes e seus diferentes pontos de vista sobre a luta. É sobre a problemática do empoderamento estético, que exige gastos, dor física e um esforço para ser aceito. É sobre as pessoas esperando que você, negro, seja o representante de todas as pessoas negras do mundo — como quando o professor de História de Samantha espera DELA a resposta sobre uma questão relacionada à escravidão, e todos olham para a menina aguardando que ela dê seu parecer. Afinal, ela é negra, obviamente ela TEM que falar a respeito. Ou os homens que se aproximam de Coco por a acharem muito bonita, mas nem cogitam um relacionamento sério ou levá-la para conhecer suas famílias.

– Gabriela Moura em Medium

Quando se fala em racismo é muito complicado tirar da cabeça do próprio negro o que é apenas uma brincadeira de mal gosto e o que é Racismo, por muitas vezes as duas coisas são as mesmas, mas estamos tão acostumados que não vemos a diferença. Eu mesma passei por situações, assim como alguns conhecidos que me fizeram pensar no absurdo que é viver sendo negra. Pois só quem é negro e vive o que vivemos entende, aí surge uma série que fala sobre tudo isso. Além de abordar todas as loucuras que nos sujeitamos para sermos aceitos entre os “brancos”. É muita informação, sim e posso dizer que assim como 13 Reasons Why, me fez refletir sobre minhas ações perante o mundo.

Algumas coisas sobre a série que eu gostaria de dizer, primeiro não vejo problema em casais inter-raciais, mesmo que alguns não entendam nossa situação como afrodescendentes, é parte da nossa militância mostrar e ensinar aos outros nossas lutas e causas. Por isso qualquer tipo de relacionamento: amoroso, amigável, politico. etc. Qualquer relacionamento que envolva pessoas diferentes é muito mais enriquecedor do que relacionamentos entre pessoas iguais, de certa forma é uma segregação. Como eu disse, ainda tenho muito a estudar sobre o assunto. E essa é minha forma de pensar, hoje.

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O que eu vi, assistindo a série, foram pessoas com problemas de relacionamento com seus pais, questões sobre sua popularidade, sobre autoestima e sobre sua sexualidade. Claro que ter 90% de atores negros colabora com a abordagem de assuntos de questão racial, como a cena na festa. Em que foi a mais tensa e esclarecedora para os personagens e para quem assistiu, sem dúvida. Mas confesso que não vejo problema em uma pessoa branca cantar uma letra de Rap que tenha a palavra “Nigga”. Vejam que isso é bem diferente de chamar alguém de “Nigga”. A questão é bem parecida com aquela frase “Só viado e sapatão pode chamar viado e sapatão de viado e sapatão” Apesar de eu não ser sapatão, sempre chamei meus amigos homossexuais de viados, e não de forma pejorativa, todos sempre aceitaram numa boa. Ou seja, tudo envolve o contexto, a proximidade, a intimidade e etc. Eu mesma não acho neguinha um termo legal, para mim parece nome de cachorro, mas tem gente que curte, vocês entendem? É muito pessoal.

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Por fim quero deixar uma questão: Gostamos de personagens femininas com características que dizemos ser femininas, delicadas, sensíveis e etc? Será que por Sam White ser uma mulher forte, empoderada e de atitude nós não demos as devidas atenção? Ou será que demos muita importância à Hanna Baker porque ela é branca? Se fosse uma menina negra que sofresse, além de todo o bullying, machismo e abuso, também o racismo será que teríamos o mesmo olhar?

Fica aberta a discussão…