Pantera Negra e representatividade, qual a importância?

O primeiro trailer do filme  Pantera Negra foi lançado durante o jogo das finais da NBA de 2017 e, nas primeiras 24 horas, em que o trailer estava online, marcou um incrível 89 milhões de visualizações. E conseguiu ficar nos três melhores dos trailers mais vistos da Marvel.

 

E não só o trailer em si foi um sucesso, mas as plataformas sociais do filme tiveram um grande impulso na atividade depois que o trailer foi lançado, incluindo cerca de 350,000 menções nos primeiros 24 horas pós lançamento.

Se ainda não viu o trailer, veja agora mesmo:

Pantera Negra
Data de lançamento: 15 de fevereiro de 2018
Direção: Ryan Coogler
Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o mais
Gêneros: Ação, Drama, Fantasia
Sinopse: Filme da Marvel sobre T’Challa (Chadwick Boseman), príncipe do reino de Wakanda, que perde o seu pai e viaja para os Estados Unidos, onde tem contato com os Vingadores. Entre as suas habilidades estão a velocidade, inteligência e os sentidos apurados.

O que impulsionou esses número de visualizações, sem dúvida foi não só a espera dos fãs para o lançamento mas também a qualidade dos filmes anteriores da Marvel que só deu mais expectativas para os não tão fãs saberem um pouco mais sobre o filme. Mas eu acredito que, ter um filme de super-herói negro, com personagens negros e empoderados, incluindo mulheres, sem dúvida deu um up nas visualizações. Hoje quero falar aqui sobre a importância que esse filme tem para nossa representatividade.

Atualmente, as editoras (Marvel e DC) de super-heróis tem tentado acompanhar ideais igualitários e incorporar personagens diversificados em suas histórias. Ainda assim, muitos se sentem incomodados ou ofendidos com isso. Afinal, qual é a necessidade da diversidade nos quadrinhos, ou em consequência nas suas versões audiovisuais?

A incorporação de personagens que representem minorias nos quadrinhos é sem dúvida um ponto essencial na evolução do mundo. Eu mesma já disse aqui no blog antes, que eu era uma super fã das Spice Girls, exatamente porque tinha a Mel B, onde eu me via e me tornava quando brincava. Ter alguém que se pareça com a pessoa/criança traz um sentimento de pertencimento para o ser humano.

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Estar presente em um lugar importante por exemplo, quando Barack Obama se tornou o primeiro afro-americano a ocupar o cargo de Presidente dos Estados Unidos, muitos dos afro-americanos sentiram que eles também poderiam chegar lá, e que aquilo não era mais algo “impossível”, tanto que Obama é visto por muitos americanos e não-americanos como um Super-herói também.

Nos últimos anos, as editoras tem prezado por uma ampliação de personagens femininos, não-caucasianos e LGBT fortes e em papeis centrais nas tramas. Exatamente para aproximar os super-heróis das pessoas reais, como eu e você. Além disso, outros heróis clássicos, acabaram passando por mudanças – sejam étnicas (Flash Wally West), em relação à sexualidade (Lanterna Verde Alan Scott, Homem de Gelo) ou então passando o manto para personagens de gênero oposto (A nova Thor, Capitã Marvel).

Isso, infelizmente, tem levantado discussões em fãs que defendem uma “estagnação” do personagem do modo que foi criado. Quando os cinemas e a TV se propõem a modificar certos personagens, como em casos recentes como o Tocha Humana do mais recente filme do Quarteto Fantástico, a ideia do Punho de Ferro asiático ou até mesmo, fugindo desse âmbito midiático, a Hermione na peça de Harry Potter, a insatisfação aumenta.

Nesses momentos é importante ouvir de alguém de uma minoria que diga a importancia desse ato, em entrevista, a atriz Danai Gurira, Michone de The Walking Dead, e também estará no filme Pantera Negra fala sobre o assunto:

47914065-cached-e1469323043223.jpg“Eu cresci entre os anos 80 e 90 em um dos países mais duros. Isso moldou minha educação. Testemunhando algo assim como uma criança, definitivamente molda a forma como enxerguei o mundo e como eu sabia que, finalmente, um dia, conseguiria contribuir Cresci vendo muitos super-heróis, mas não conhecia heróis como ele (Pantera Negra) na minha infância. Os heróis que eu via não se pareciam comigo, e certamente não estavam na África”

O longa trata também da cultura africana e também a representatividade da mulher.

“Eu acho que isso é ótimo para garotas jovens que estão assistindo. Quando você cresce na África, ou você cresce como uma mulher negra, você não vê histórias sob sua perspectiva. Quero ajudar a trazer essas histórias. Estamos em um momento muito melhor do que no passado, mas ainda há muito caminho para se percorrer”

 

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Por fim, a coisa mais importante na vida de cada ser humano é REFERÊNCIA do que ele pode se tornar. E quanto mais próximo dessa referência ele se sentir, mais positivamente ele vai reagir.

 

Mulher Maravilha – A heroína mais foda de todas

Finalmente assisti o filme mais comentado e aclamado de 2017, pelo menos até o momento, Mulher Maravilha. Você provavelmente já leu tudo sobre esse filme nos sites e blogs por aí, mas o que vão ler aqui é único, afinal é o que eu achei do filme. Então, se quiser saber mais do que recordes, prêmios e etc, chega mais e se prepare para se encantar, assim como eu com a feminista mais foda de todas, Diana! Aliás, tem spoilers!

Mulher Maravilha, ou melhor, Diana princesa de Themyscira, foi esculpida do barro e trazida à vida por Zeus para ser a única capaz de matar Ares, deus da Guerra. Diana é uma deusa na terra dos homens, filha de rainha de Themyscira, uma amazona treinada pra ser a melhor das melhores guerreiras de todas.

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Do inicio ao fim do filme é óbvio o grande empoderamento que a mulher tem, Diana é exaltada tanto entre as amazonas, quanto dentro os homens. Sua força, sua coragem e sua determinação encanta todos a sua volta. O que eu achei interessante é que, ao contrário de outros super heróis, normalmente instigados pelo patriotismo, ou pela vingança.

Diana coloca sua paixão, empatia e amor como principal incentivo para ir a luta. Ela enfrenta a mãe, sua nação e vai atrás de um desconhecido só para lutar contra a injustiça de um mundo que ela nem mesmo conhece. Não vejo nada errado nisso, afinal muitos de nós fazemos isso. É bem aquilo que o próprio Steve Trevor (Chris Pine) disse: “Em frente a um problema nós podemos fazer nada ou tentar fazer algo” ou algo assim.

O que me incomoda é colocar essas qualidades em uma mulher e não em um homem, talvez eu esteja enganada, como já disse nunca li nenhum HQ. E nem conheço muito de super-heróis, mas percebi isso e quis falar sobre.

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Durante todo o filme eu me senti na pele de Diana, acho que toda menina/mulher se sentiu assim, nossas lutas diárias, são como aquela cena em que ela enfrenta sozinha os alemães no campo de batalha. E ouvir as melhores tiradas do machismo da época, que existe até hoje, foi excelente. Confesso que no momento em que ela afirma que depois de estudos um filosofo chegou a conclusão de que o homem é necessário para a procriação, mas não para o PRAZER, eu quis levantar e bater palmas. Risos.

Cenas engraçadas a parte, o amor romântico nunca falta quando temos uma protagonista mulher. E não vou dizer que Diana precisou perder o amor para ter força e derrotar Ares, Diana precisou sentir o amor, não sei se é o amor verdadeiro, mas todos nos lembramos do nosso primeiro amor e de como ter, ou perdê-lo, nos fez mudar. Acho que amar é um crescimento, um amadurecimento e no caso de Diana foi essencial para sua auto descoberta.

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Por fim, quero dizer que Diana, a Mulher Maravilha, me representou em ações e sentimentos. Se tem uma heroína que eu gostaria de ser é ela sem dúvida. E são exemplos assim que mulheres e meninas do mundo precisam ter. Mulheres fortes, confiantes e com empatia.

1.jpgData de lançamento: 1 de junho de 2017 (2h 21min)
Direção: Patty Jenkins
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen mais
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia
Nacionalidade: EUA
Sinopse
Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.