Tentei desistir dos homens por um mês

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Uma das consequências de ser tão pública sobre minha vida amorosa é a quantidade de conselhos amorosos que recebo de amigos, conhecidos, estranhos e até alguns homens que já estiveram dentro de mim. Alguns conselhos dão raiva, como quando as pessoas me incentivam a ficar com alguém com quem claramente não tenho química simplesmente porque a pessoa gosta de mim. Mas o conselho que mais recebo é simplesmente parar de tentar. Esse é o enredo de incontáveis comédias românticas, e muitos dos meus amigos que estão em relacionamentos dizem que aconteceu com eles. “Encontramos um ao outro quando não estávamos procurando ninguém.”

Minha vida amorosa é cheia de tentativas. Estou em vários sites de encontro, perpetuamente indo a encontros às escuras, e saio várias noites por semana na esperança de talvez conversar com um estranho que não vai me matar. E ainda não consegui sair com ninguém por mais de alguns meses (se tanto). Pior ainda, vivemos numa era onde um uma mulher jovem admitir que gostaria de estar apaixonada é visto como brega e trágico. Bom, estou cansada de fingir que estou de boa. Quero o romance meloso que vem sendo enfiado na minha garganta por filmes, TV e livros desde que comecei a processar informação.

Então decidi fazer um jejum de macho. Um mês inteiro sem sair com ninguém que conheci pela internet, nada de transas casuais, nenhum encontro romântico de nenhum tipo a menos que alguém pareça realmente interessado em casar comigo, ter filhos e acariciar meu cabelo quando eu finalmente sucumbir a alguma doença de idoso. E foi assim:

Semana Um

Primeiro eu tinha que deletar todos os aplicativos de encontros que eu tinha: Tinder, Bumble (Tinder preppy), Happn (Tinder beta), Feeld (Tinder de ménage) e OkCupid (o Tinder original). Pronto. Segundo passo, deletar os telefones dos homens para quem ligo em casos de emergência de tesão. Depois de me livrar deles no meu celular, o terceiro e último passo era deletar o número de um skatista por quem tenho um crush há meses e pode ou não ter namorada. Essa limpeza me fez sentir como quando você faz um teste de DST e dá negativo: sou virgem de novo! Agora eu era uma placa limpa de todos os pintos do passado e estava pronta para um jejum de homens.

“Ficar fora dos aplicativos me fez perceber quanto da minha vida é dedicada a eles.”

Essa primeira semana foi bastante parada. Nada aconteceu para que eu conhecesse garotos, o que parece uma novidade para mim. O mais perto que cheguei disso no passado foi quando um cara deu match comigo no mesmo café, depois me mandou mensagem dizendo que tinha me visto. Transamos naquela noite e ele se mudou para a Argentina no dia seguinte. Não nos falamos desde então.

Ficar fora dos aplicativos me fez perceber quanto da minha vida é dedicada a eles. Eu achei que não ficava tanto tempo nos apps, mas a realidade é que usar os aplicativos se tornou uma parte tão regular da minha rotina que não parecia que eu fazia tanto isso. Isso é triste? Não responda. Acho que sei a resposta.

Semana Dois

Achando que eu deveria fazer algum esforço para manifestar o aparecimento do homem dos meus sonhos, decidi elaborar mais nas roupas do dia a dia. Num dia normal eu normalmente me produzo bem menos que para sair à noite, que é quando estou tentando transar. Minha roupa típica do dia a dia é legging ou jeans com uma camisetona. Quase nunca uso maquiagem, nem penteio o cabelo. Isso mudou essa semana.

Toda manhã dessa semana, pensei bem no que iria vestir. Passei um pouco de maquiagem, escovei o cabelo e quase só usei vestidos, encarnando a imagem mais clichê possível de feminilidade. Mudei minha rotina também, encontrando novos lugares para escrever e tomar café, além de novas lojas onde fazer as coisas.

“Esse é o meu mês de jejum de macho, e tenho que manter o foco.”

Bom, uma coisa aconteceu. Saí para tomar uns drinques com uma amiga e aconteceu de encontrar um amigo em comum. Ele é pai solteiro, mais velho que eu, bastante tatuado, mora sozinho e fede a indisponibilidade emocional. Depois de flertarmos por um tempo, estava bem claro que a gente queria transar — mas resisti a tentação sabendo muito bem que seria só sexo e nada mais. Em outro mês qualquer, isso não seria um problema para mim, mas esse é o meu mês de jejum de macho, e tenho que manter o foco.

Mas trocamos números. Secretamente eu esperava que a gente se envolvesse num flerte leve, que devo admitir que senti que era o que eu precisava para passar pelo resto do mês. Achei que se ele iniciasse a conversa, eu poderia só seguir a deixa.

Como já era previsível, ele nunca iniciou coisa nenhuma. Eu tenho que fazer todo o trabalho aqui?

Semana Três

Vou ser honesta aqui. Deixei a peteca cair essa semana. Bêbada, baixei o Tinder de novo e mandei mensagem para o skatista cujo número eu tinha deletado. Felizmente, tudo que consegui dizer naquele estado foi “ei”, mensagem que obviamente ele não respondeu por 12 horas. Não continuei a conversa e não iniciei nenhum outro papo com meus matches no Tinder. O jejum de macho ainda estava rolando.

Voltei para o visual mais largado, e percebi que me esforçar muito na minha aparência era uma forma de tentar muito fora do meu personagem.

Saí para beber de novo essa semana e fiquei surpresa em me ver paquerada outra vez. Dessa vez foi por um cara de 23 anos torcedor do Dodgers, que usava uma bandana e que conversou comigo sobre sua startup. Ele não chegava nem perto de ser o meu tipo. Normalmente, isso me faria terminar a conversa o mais rápido possível e dar a noite por encerrada. Mas pensando em todas as comédias românticas que assisti na vida, imaginei que isso poderia ser um daqueles cenários de “os opostos se atraem”, onde me torno a manic pixie dream girl que o apresenta para o mundo das artes e do punk rock, enquanto ele me ensina o valor de economizar e me importar com o meu futuro. Nada faz sentido no amor, e ainda assim… funciona.

“Caramba, eu realmente me esforço demais para trazer homens para a minha vida.”

Decidi seguir em frente e dar a ele meu número. Foi então que percebi que pode ter alguma coisa em não se esforçar muito nos encontros. Fui abordada duas vezes durante o experimento, o que não acontecia há algum tempo antes de eu começar meu jejum de macho.

O resto da semana passou. Ele nunca me mandou mensagem. Antes desse jejum, eu eventualmente teria mandado uma mensagem para ele. Mas propositalmente me impedir de fazer isso colocou minha vida amorosa em perspectiva. Caramba, eu realmente me esforço demais para trazer homens para a minha vida. Homens que provavelmente não estão interessados em mim. Pelo menos não o suficiente para realmente agirem.

Semana Quatro

OK, vou ser honesta. Transei com o pai solteiro. E fui eu. Eu fiz isso acontecer. Em minha defesa, eu não transava há vários meses, e o jejum de homem servia como um lembrete constante disso. Eu não tinha as distrações que normalmente tenho, como os aplicativos e flerte pela internet. Meus níveis de tesão estavam num pico, meu vibrador perdeu metade de sua potência original (esqueço de comprar pilhas) e eu só precisava de pinto mesmo.

Também pensei comigo mesma que talvez, só talvez, eu estivesse errada sobre a indisponibilidade emocional desse cara. Talvez isso pudesse realmente ser o começo de um relacionamento. Mas na noite em que ficamos, começamos a falar sobre exs e amores do passado. Ele mencionou uma mulher que o tinha largado recentemente, para quem ele voltaria na hora se ela mandasse mensagem. Então, sim. Eu estava certa no começo. Mas a transa pelo menos foi boa.

Concluindo: acho que tecnicamente esse jejum de homem não foi um sucesso (no sentido de que não consegui realmente me abster de homens), mas ainda tirei algumas lições de valor aqui.

Sei que devo continuar nesse caminho de não tentar tanto, mas ainda manter a conta no Tinder ativa, o que deixou meu humor melhor. Se alguma coisa acontecer, ótimo. Se não, tudo bem também. Por mais que eu queira ter um daqueles amores grudentos de filmes, não posso continuar tentando forçar isso com homens que não valem meu tempo ou minha atenção. Nenhuma de nós deveria.

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