Gordofobia é abordada no Profissão Repórter

Assisti hoje o Profissão Repórter dessa semana, que fala sobre a Obesidade, e me senti representada. Não que isso seja algo bom, neste caso, mas achei excelente terem abordado este tema e dessa forma.

O Profissão Repórter falou de quatro jovens que são obesos, dois que sofrem com isso e dois que já se aceitaram como são e, inclusive, ganham dinheiro por meio de seu biotipo. O que mais me marcou, foi o caso de Rogi, estudante de administração, com 29 anos e muita dificuldade para lidar com as tarefas básicas por causa do seu peso. Com 208kg tudo fica muito difícil: ir ao banheiro, pegar ônibus, sentar na cadeira da faculdade e comprar roupas. “Muitas vezes ouço as pessoas dizerem que se assustam comigo. Não ser aceito em espaços machuca. Quando me olho no espelho, não me sinto o feio que a sociedade diz. Eu me sinto bonito, e às vezes nem me sinto gordo”, conta.

Rogi jogava no time de futebol americano de Vila Velha, no Espírito Santo. Mas há dois anos desistiu e, depois disso, teve uma depressão. Foi aí que começou a engordar: “Às vezes eu quero me isolar, muitas vezes eu não saio. Fico quietinho em casa porque aqui sei que tô protegido”.

É exatamente assim que me sinto, passei por alguns eventos em minha vida que me fizeram engordar e muito e como ele disse, temos uma vida excluída do resto do mundo, muitos não encontram roupa, não encontram um parceiro e sofrem preconceito todos os dias. E o único prazer que encontramos é na comida.

São piadas, brincadeiras e cobranças do mundo que nos fazem tomar decisões absurdas. Como a entrevistada Fernanda disse, muitas vezes a pior cobrança é de dentro de casa. Fernanda quer emagrecer 20kg até o Natal. Ela é professora e deixou o emprego há dois anos, quando a segunda filha nasceu. Ela tem que lidar com as constantes críticas do marido, Hermínio: “Ele adora me zoar, não só eu… Fala que é tudo chupeta de baleia”.  Hermínio conta sua versão: “Eu brinco assim, mas não tem maldade. Não é bullying. Ela inventou de usar biquíni e eu falei que não dá. Uma mulher desse tamanho vai usar biquíni? Ficou feio pra caramba”.

Fernanda pesa 90kg e quer chegar aos 70kg: “A sociedade tem um papel muito importante na minha vontade de emagrecer, porque eles cobram muito isso da gente. Eu não tô fazendo só pelos outros, tô fazendo pra eu me sentir melhor, mais bonita”.

A Gordofobia é algo sério, para quem não está acima do peso, é só uma brincadeira, para nós que sofremos, machuca a alma. Eu queria muito que minha mãe entendesse como eu me sinto e me apoiasse mais, mas é tão complicado, para ela eu estou assim porque quero. E isso não é verdade.

Por que não é preguiça
O sobrepeso não é necessariamente resultado de comida em excesso ou falta de atividade física. Conheça alguns fatores comprovados cientificamente

Falta de sono – Segundo uma pesquisa do King’s College London, pessoas que dormem menos de sete horas por dia consomem, em média, 385 calorias diárias a mais do que aquelas que dormem além disso.

Condições socioeconômicas – Uma pesquisa desenvolvida pelo Ministério da Saúde apontou que o excesso de peso está ligado à escolaridade: 57,3% dos brasileiros com até oito anos de estudo estão com excesso de peso, enquanto aqueles com mais de 12 anos de estudo fazem o índice cair para 48,4%.

Medicamentos – Alguns remédios e até anticoncepcionais formulados à base de estrógeno colaboram no ganho de peso.

Desequilíbrio hormonal – Um desequilíbrio na glândula tireoide pode causar o hipotireoidismo, que desacelera o metabolismo, o que dificulta o gasto de energia e retém sal e água, levando ao inchaço.

Genética – Estudos realizados com gêmeos mostram que a genética influencia nosso peso entre 40% e 70%. Há inclusive genes associados ao acúmulo de gordura, como o FTO — um levantamento recente publicado na revista Nature comprovou que ratos sem esse gene nunca ficam obesos, mesmo comendo muito e se movimentando pouco.

Fonte: Revista Galileu

Eu, particularmente, ainda não cheguei ao nível de me aceitar como sou. E nem sei se é isso que quero. Espero ainda emagrecer e me sentir bem com o meu corpo. Mas acima de tudo não quero mais me sentir mal, depressiva, excluída e tudo de ruim ao me olhar no espelho.
Se você quiser assistir o episódio de Profissão Repórter:
Depois lembra de voltar e dizer o que achou.

Crítica “13 Reasons Why ” (contêm spoilers)

Assisti ao trailer da nova série da Netflix 13 Reasons Why e fiquei super ansiosa para ver. Então, fiz uma maratona neste sábado, só para falar a vocês o que achei da história.

A série é baseada no clássico romance de Jay Asher, que conta a história Clay Jensen, um tímido estudante do ensino médio, volta para casa da escola um dia e encontra um pacote enviado anonimamente, em sua porta. Após a abertura, ele descobre que são sete fitas cassete gravada pela falecida Hannah Baker, sua colega que recentemente cometeu suicídio.  Nas fitas, Hannah explica á treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte, apresentando treze razões que explicam porque ela se matou.

Desde o inicio é incrível como o enredo nos prende, nem acreditei que havia chegado ao fim, quando cheguei. E posso dizer que fiquei por todo esse tempo esperando que Hannah não estivesse morta, foram tantos mal entendidos, mentiras e fofocas que achei que não era possível que isso realmente fosse acontecer, mas é sempre assim. Não é? A vida real não tem final feliz.

A série é intensa, traz sexo, drogas, estupro, etc. Nos faz ver os dois lados da história, como o bullying afetou Hannah e como os agressores foram afetados. Mais do que isso, mostra como o relacionamento entre pais e filhos afetam nas nossas escolhas. Existem alguns pontos que eu gostaria de abordar, mas se você ainda não viu a série e quer evitar spoilers, não leia o paragrafo a seguir.

Primeiramente vou falar um pouco sobre cada um dos treze porquês de Hannah ter se matado.

  1. Justin Foley, deu o ponta pé oficial na depressão de Hannah ao tirar a foto e dar a entender que houve algo a mais, por mais que não tenha espalhado o boato ele não fez nada para impedir, mesmo sabendo o quanto Hannah era uma garota legal. Na minha opinião, tem culpa.
  2. Alex Standall, deu brecha para iniciar um grande assédio sexual para cima de Hannah, mas ao mesmo tempo, quantos de nós nunca falamos o que um ou outro tem de bom ou ruim em cada na adolescência? Eu acho que ele teve culpa em envolver Hannah em algo que ela não tinha nada a ver, mas a escola foi a culpada por deixar aquilo se espalhar. perpetuando assim a reputação de promiscuidade dela.
  3.  Jessica Davis, diria sua ex-melhor amiga, foi totalmente ridícula em não acreditar na amiga e ainda se envolver com Justin. No fim ela estava tão perdida quanto os outros, pois havia sido vítima e nem sabia.
  4. Tyler Down,  fez com que Hannah se sentisse mais insegura ainda e contribuiu para que mais um boato fosse espalhado pela escola, talvez por sofrer bulliyng ele não tenha tanto poder, mas ele tinha provas de tudo e poderia ter acabado com aquilo há muito tempo.
  5. Courtney Crimsen, de todos os envolvidos, acho que é o que eu mais entendo, imagino a vida que ela teve, exatamente pelo mundo ser como é.  Apesar de ser  manipuladora e usar as pessoas para a sua popularidade. Eu imagino a pressão que ela deve sentir dos pais e da sociedade, afinal se ela se assumir gay será mais um índice para todos dizerem que casais gays não podem adotar. Claro não retiro a culpa dela, pois ela poderia ter evitado a morte de Hannah , sem contar que um beijo não diz nada. Sei lá que adolescentes mais bregas são esses?
  6. Marcus Cooley, um babaca, simplesmente isso. Um cara escroto que simplesmente fez o que fez porque quis e nem mesmo depois sentiu remorso.
  7. Zach Dempsey,  após ser rejeitado muitos de nós pode pensar em querer ferrar com o outro, mas Zach poderia ter feito algo mais, se imposto, entendo que essa fase não é fácil para se impor e ser quem quiser ser, mas ele poderia ter feito algo.
  8. Ryan Shaver, acredito que vazar o poema realmente seria algo bom para Hannah, ela com certeza se tivesse conseguido seguir em frente teria visto aquilo como um rompimento da zona de conforto e se dedicaria mais a escrita. No entanto Ryan fez isso por puro egoismo e nem mesmo pensou no que ela poderia sentir.
  9. Justin Foley (mais uma vez), é mais do que certo que Justin é parcialmente responsável pelo estupro de Jessica. Mas Hannah também poderia ter feito algo, a questão é será que alguém a ouviria?
  10. Sheri, estava dando uma carona para casa de Hannah da festa onde Jessica foi violentada, quando ela bateu o carro e derrubou um sinal de “pare”. Mais tarde naquela noite, um idoso foi ferido e um estudante de sua escola foi morto em um acidente causado pela falta do sinal. Um erro pequeno, grandes consequências.
  11.  Clay Jensen, o cara certo. Clay não era para estar na lista, mas ela mandou as fitas porque lamentou nunca ter a oportunidade de conhecê-lo melhor. Além disso, ela sente que lhe deve uma explicação para seu comportamento. Acho que Clay é tão culpado quanto Hannah nesse jogo, em uma série que aborda o feminismo em várias formas, acho estranho ela nunca ter tentado falar com Clay o que sentia, afinal não cabe somente ao homem dar o primeiro passo.
  12. Bryce Walker,  o MAIOR CULPADO DE TODOS, abusou sexualmente de Jessica e Hannah, sem contar outras meninas que provavelmente ele também deve ter abusado. Mesmo Hannah admitindo que ela não tentou o impedir, acho que já sabemos que é preciso ter um consentimento sólido para um ato sexual acontecer e é visível que Bryce  se aproveitou dos boatos que se espalharam na escola.
  13. Sr. Porter, talvez o segundo maior responsável pela morte de Hannah, mas eu imagino a vida desse conselheiro que atende centenas de alunos e precisa dar a atenção correta a cada um deles e reponde por isso, o conselho da escola que deveria ajudá-lo esconde coisas assim como todo adolescente.

Todo o enredo mostra uma posição complicada para os envolvidos entre adolescentes sem autoestima, agressores, professores e pais. Acho que a maior responsabilidade é dos pais e é possível ver a mudança de Hannah com a família ao longo dos episódios, não tem como dizer que não havia indícios e pior a situação dos pais, depois da morte de não saberem o que a levou a fazer isso só mostra o quanto eles estavam mais afastados da filha do que imaginavam.

Por fim, quero dizer que eu entendo Hannah, há momentos na vida de quem sofre com depressão que acabar com a vida parece a melhor opção. Não encontramos saídas e nos vemos como o maior problema na vida de quem amamos, recentemente eu mesma pensei em fazer algo assim, na verdade eu não teria coragem de me matar, mas tinha vontade de morrer. São situações parecidas, mas não semelhantes. Ao assistir a cena de suicídio de Hannah eu me imaginei naquela situação. Depois de passar por tantos problemas e se sentir tão sozinha e abandonada ter aquele tempo, aquele intervalo entre cortar os pulsos e morrer definitivamente, seja a pior das solidões encaradas.

Essa série mexeu comigo de uma forma bem complicada, me vi na pele da Hannah, não por sofrer bullying mas por sofrer com a depressão e chegar a pensar que meu único fim era esse. Se você também se sente ou sentiu assim, procure ajuda, seja com quem for, não deixe de tentar continuar vivendo.