Hannah Baker deve voltar na 2ª Temporada de ’13 Reasons Why’, diz roteirista

Repost – Cine Pop

13 Reasons Why‘ ainda não teve sua segunda temporada oficialmente confirmada pela Netflix, mas o serviço de streaming já contratou roteiristas para planejar a trama de um possível segundo ano.

E um desses roteiristas, Brian Yorkey, revelou detalhes em entrevista ao The Hollywood Reporter.

Segundo ele, Hannah Baker (Katherine Langford) deve voltar a aparecer e ser um personagem recorrente na segunda temporada, através de flashbacks.

“A história de Hannah ainda não terminou. Ela é parte essencial de qualquer história que contarmos em seguida, e ela ainda será o centro disso tudo”, afirmou.

Ou seja, se tivermos uma segunda temporada, Hannah ainda será a protagonista…

“Um dos princípios da nossa série é mostrar o que aconteceu na combinação do passado e do presente”, concluiu

 

A expectativa é que a Netflix dê algum parecer sobre 13 Reasons Why‘ até a San Diego Comic-Con, em julho.

Vale lembrar que a série vem recebendo várias críticas por “romantizar” o suicídio, e foi BANIDA de algumas escolas nos EUA.

A série tem produção executiva de Selena Gomez e episódios dirigidos pelo vencedor do Oscar® Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados).

Os 13 episódios deste drama jovem adulto já estão disponíveis na Netflix.

Saiba mais aqui.

Dear White People, racismo velado e minhas considerações

Olá, voltei. E dessa vez estou aqui para falar sobre a série Dear White People, baseada no filme de 2014 de mesmo nome.

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Confesso que estava insegura de escrever sobre a série, pois não acho que tenha bagagem suficiente para dissertar sobre o assunto. Não só pelas inúmeras questões raciais que estou aprendendo agora e, apesar de ter sofrido racismo durante toda a minha vida, é complicado e difícil de explicar. Na verdade complicado falar sobre algo que você entende há pouco tempo. Ainda assim, vou tentar falar quais são minhas considerações.

Enquanto o filme concentra-se na escalada de tensões raciais em uma prestigiada faculdade da Ivy League na perspectiva de vários estudantes afro-americanos. A série ataca, de forma sarcástica, a ilusão de uma América pós-racial. O que me chamou atenção, e na verdade eu só fiquei sabendo depois de assistir a série é que em fevereiro a Netflix recebeu inúmeras avaliações negativas, foi chamada inclusive de ser anti-brancos e racista (vejam os comentários no trailer do Youtube). Isso tudo porque no teaser lançado no mesmo mês mostrava Samantha White, uma mulher negra que parece ser uma locutora de rádio e fala ao microfone uma lista de fantasias de Halloween que são totalmente aceitáveis para pessoas brancas “pirata, enfermeira, qualquer um dos primeiros 43 presidentes americanos…” e o topo da lista de fantasias inaceitáveis “eu“, seguida por inúmeras imagens de homens e mulheres brancos com o rosto pintado para parecerem negros.

A mensagem de Dear White People nesse teaser, é bem clara. É a critica a tradição da Blackface que começou no século XIX nos shows de menestréis, nos quais atores brancos se pintavam de preto usando carvão de cortiça para representar personagens afro-americanos de forma pejorativa. Dessa maneira, além de reforçar estereótipos racistas, a atitude também impedia que pessoas negras participassem de apresentações teatrais.

Dear White People é sobre racismo velado, explícito, e a relação entre os próprios militantes e seus diferentes pontos de vista sobre a luta. É sobre a problemática do empoderamento estético, que exige gastos, dor física e um esforço para ser aceito. É sobre as pessoas esperando que você, negro, seja o representante de todas as pessoas negras do mundo — como quando o professor de História de Samantha espera DELA a resposta sobre uma questão relacionada à escravidão, e todos olham para a menina aguardando que ela dê seu parecer. Afinal, ela é negra, obviamente ela TEM que falar a respeito. Ou os homens que se aproximam de Coco por a acharem muito bonita, mas nem cogitam um relacionamento sério ou levá-la para conhecer suas famílias.

– Gabriela Moura em Medium

Quando se fala em racismo é muito complicado tirar da cabeça do próprio negro o que é apenas uma brincadeira de mal gosto e o que é Racismo, por muitas vezes as duas coisas são as mesmas, mas estamos tão acostumados que não vemos a diferença. Eu mesma passei por situações, assim como alguns conhecidos que me fizeram pensar no absurdo que é viver sendo negra. Pois só quem é negro e vive o que vivemos entende, aí surge uma série que fala sobre tudo isso. Além de abordar todas as loucuras que nos sujeitamos para sermos aceitos entre os “brancos”. É muita informação, sim e posso dizer que assim como 13 Reasons Why, me fez refletir sobre minhas ações perante o mundo.

Algumas coisas sobre a série que eu gostaria de dizer, primeiro não vejo problema em casais inter-raciais, mesmo que alguns não entendam nossa situação como afrodescendentes, é parte da nossa militância mostrar e ensinar aos outros nossas lutas e causas. Por isso qualquer tipo de relacionamento: amoroso, amigável, politico. etc. Qualquer relacionamento que envolva pessoas diferentes é muito mais enriquecedor do que relacionamentos entre pessoas iguais, de certa forma é uma segregação. Como eu disse, ainda tenho muito a estudar sobre o assunto. E essa é minha forma de pensar, hoje.

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O que eu vi, assistindo a série, foram pessoas com problemas de relacionamento com seus pais, questões sobre sua popularidade, sobre autoestima e sobre sua sexualidade. Claro que ter 90% de atores negros colabora com a abordagem de assuntos de questão racial, como a cena na festa. Em que foi a mais tensa e esclarecedora para os personagens e para quem assistiu, sem dúvida. Mas confesso que não vejo problema em uma pessoa branca cantar uma letra de Rap que tenha a palavra “Nigga”. Vejam que isso é bem diferente de chamar alguém de “Nigga”. A questão é bem parecida com aquela frase “Só viado e sapatão pode chamar viado e sapatão de viado e sapatão” Apesar de eu não ser sapatão, sempre chamei meus amigos homossexuais de viados, e não de forma pejorativa, todos sempre aceitaram numa boa. Ou seja, tudo envolve o contexto, a proximidade, a intimidade e etc. Eu mesma não acho neguinha um termo legal, para mim parece nome de cachorro, mas tem gente que curte, vocês entendem? É muito pessoal.

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Por fim quero deixar uma questão: Gostamos de personagens femininas com características que dizemos ser femininas, delicadas, sensíveis e etc? Será que por Sam White ser uma mulher forte, empoderada e de atitude nós não demos as devidas atenção? Ou será que demos muita importância à Hanna Baker porque ela é branca? Se fosse uma menina negra que sofresse, além de todo o bullying, machismo e abuso, também o racismo será que teríamos o mesmo olhar?

Fica aberta a discussão…

13 citações do livro “13 reasons why”

Fiquei tão envolvida na história de Hannah que salvei algumas das minhas frases preferidas da série.

Era exatamente isso que eu queria para mim. Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade.

 

Ao me conscientizar de que ninguém sabia a verdade a respeito da minha vida, meus pensamentos sobre o mundo ficaram abalados.
Como se estivesse dirigindo por uma estrada acidentada e perdendo o controle do volante, sendo jogada – só um pouquinho – para fora da pista. As rodas levantam poeira, mas você consegue puxar o carro de volta. Mesmo assim, não importa que esteja segurando bem firme no volante, não importa o quanto esteja se esforçando para tentar guiar em linha reta, algo fica empurrando você para o lado. Você já não tem quase mais nenhum controle sobre nada. E, a certa altura, a luta se torna excessiva – cansativa demais – e você considera a possibilidade de largar tudo. De deixar acontecer uma tragédia… ou seja lá o que for.

 

Uma pessimista? Uma otimista? Nenhuma das alternativas. Uma idiota.

 

Como você está se sentindo hoje?
– Neste exato momento?
– Neste exato momento.
– Neste exato momento, me sinto perdida, eu acho. Meio vazia.
– Vazia como?
– Simplesmente vazia. Simplesmente nada. Não me importo mais.

 

– Preciso que a coisa pare.
– O que precisa parar?
– Preciso que tudo pare. As pessoas. A vida.

Você não pode interromper o futuro, nem modificar o passado. O único jeito de descobrir este segredo é apertando play►.

Escuto mais de perto.

Às vezes não tem ninguém em volta para mandar você ficar quieto…
Às vezes você precisa ficar em silêncio quando está completamente sozinho. Como eu, agora, neste instante. Shh!

Se meu amor fosse um oceano
Não haveria mais terras.
Se meu amor fosse um deserto
Você só enxergaria areia.
Se meu amor fosse uma estrela_ tarde da noite , luz apenas
E se meu amor pudesse criar asas,
Eu estaria voando nas alturas

Aquele que luta com monstros deve cuidar para não se tornar um monstro.

Fiquei pensando em suicídio. Na maioria das vezes, era apenas um pensamento passageiro. Eu queria morrer. Pensei nessas palavras muitas vezes. É algo difícil de dizer em voz alta. É ainda mais assustador quando você sente que pode estar falando sério.

Às vezes, quando não há justiça, você precisa cuidar disso

Eu quis ligar pra alguém. Contar o que tinha acontecido, e que doía. Mas não havia ninguém ali. Ninguém com que eu pudesse contar. Ninguém disposto a abrir mão do sono para ouvir minhas queixas. Ninguém que se importasse. Então eu virei pro lado e a dor veio. Rápida. Forte. Devastadora. Senti minha alma se rasgando ao lembrar daquelas palavras. E dói. Ainda dói.”

 

A julgar pela sua aparência, deve estar sofrendo o bastante por hoje.

Crítica “13 Reasons Why ” (contêm spoilers)

Assisti ao trailer da nova série da Netflix 13 Reasons Why e fiquei super ansiosa para ver. Então, fiz uma maratona neste sábado, só para falar a vocês o que achei da história.

A série é baseada no clássico romance de Jay Asher, que conta a história Clay Jensen, um tímido estudante do ensino médio, volta para casa da escola um dia e encontra um pacote enviado anonimamente, em sua porta. Após a abertura, ele descobre que são sete fitas cassete gravada pela falecida Hannah Baker, sua colega que recentemente cometeu suicídio.  Nas fitas, Hannah explica á treze pessoas como eles desempenharam um papel na sua morte, apresentando treze razões que explicam porque ela se matou.

Desde o inicio é incrível como o enredo nos prende, nem acreditei que havia chegado ao fim, quando cheguei. E posso dizer que fiquei por todo esse tempo esperando que Hannah não estivesse morta, foram tantos mal entendidos, mentiras e fofocas que achei que não era possível que isso realmente fosse acontecer, mas é sempre assim. Não é? A vida real não tem final feliz.

A série é intensa, traz sexo, drogas, estupro, etc. Nos faz ver os dois lados da história, como o bullying afetou Hannah e como os agressores foram afetados. Mais do que isso, mostra como o relacionamento entre pais e filhos afetam nas nossas escolhas. Existem alguns pontos que eu gostaria de abordar, mas se você ainda não viu a série e quer evitar spoilers, não leia o paragrafo a seguir.

Primeiramente vou falar um pouco sobre cada um dos treze porquês de Hannah ter se matado.

  1. Justin Foley, deu o ponta pé oficial na depressão de Hannah ao tirar a foto e dar a entender que houve algo a mais, por mais que não tenha espalhado o boato ele não fez nada para impedir, mesmo sabendo o quanto Hannah era uma garota legal. Na minha opinião, tem culpa.
  2. Alex Standall, deu brecha para iniciar um grande assédio sexual para cima de Hannah, mas ao mesmo tempo, quantos de nós nunca falamos o que um ou outro tem de bom ou ruim em cada na adolescência? Eu acho que ele teve culpa em envolver Hannah em algo que ela não tinha nada a ver, mas a escola foi a culpada por deixar aquilo se espalhar. perpetuando assim a reputação de promiscuidade dela.
  3.  Jessica Davis, diria sua ex-melhor amiga, foi totalmente ridícula em não acreditar na amiga e ainda se envolver com Justin. No fim ela estava tão perdida quanto os outros, pois havia sido vítima e nem sabia.
  4. Tyler Down,  fez com que Hannah se sentisse mais insegura ainda e contribuiu para que mais um boato fosse espalhado pela escola, talvez por sofrer bulliyng ele não tenha tanto poder, mas ele tinha provas de tudo e poderia ter acabado com aquilo há muito tempo.
  5. Courtney Crimsen, de todos os envolvidos, acho que é o que eu mais entendo, imagino a vida que ela teve, exatamente pelo mundo ser como é.  Apesar de ser  manipuladora e usar as pessoas para a sua popularidade. Eu imagino a pressão que ela deve sentir dos pais e da sociedade, afinal se ela se assumir gay será mais um índice para todos dizerem que casais gays não podem adotar. Claro não retiro a culpa dela, pois ela poderia ter evitado a morte de Hannah , sem contar que um beijo não diz nada. Sei lá que adolescentes mais bregas são esses?
  6. Marcus Cooley, um babaca, simplesmente isso. Um cara escroto que simplesmente fez o que fez porque quis e nem mesmo depois sentiu remorso.
  7. Zach Dempsey,  após ser rejeitado muitos de nós pode pensar em querer ferrar com o outro, mas Zach poderia ter feito algo mais, se imposto, entendo que essa fase não é fácil para se impor e ser quem quiser ser, mas ele poderia ter feito algo.
  8. Ryan Shaver, acredito que vazar o poema realmente seria algo bom para Hannah, ela com certeza se tivesse conseguido seguir em frente teria visto aquilo como um rompimento da zona de conforto e se dedicaria mais a escrita. No entanto Ryan fez isso por puro egoismo e nem mesmo pensou no que ela poderia sentir.
  9. Justin Foley (mais uma vez), é mais do que certo que Justin é parcialmente responsável pelo estupro de Jessica. Mas Hannah também poderia ter feito algo, a questão é será que alguém a ouviria?
  10. Sheri, estava dando uma carona para casa de Hannah da festa onde Jessica foi violentada, quando ela bateu o carro e derrubou um sinal de “pare”. Mais tarde naquela noite, um idoso foi ferido e um estudante de sua escola foi morto em um acidente causado pela falta do sinal. Um erro pequeno, grandes consequências.
  11.  Clay Jensen, o cara certo. Clay não era para estar na lista, mas ela mandou as fitas porque lamentou nunca ter a oportunidade de conhecê-lo melhor. Além disso, ela sente que lhe deve uma explicação para seu comportamento. Acho que Clay é tão culpado quanto Hannah nesse jogo, em uma série que aborda o feminismo em várias formas, acho estranho ela nunca ter tentado falar com Clay o que sentia, afinal não cabe somente ao homem dar o primeiro passo.
  12. Bryce Walker,  o MAIOR CULPADO DE TODOS, abusou sexualmente de Jessica e Hannah, sem contar outras meninas que provavelmente ele também deve ter abusado. Mesmo Hannah admitindo que ela não tentou o impedir, acho que já sabemos que é preciso ter um consentimento sólido para um ato sexual acontecer e é visível que Bryce  se aproveitou dos boatos que se espalharam na escola.
  13. Sr. Porter, talvez o segundo maior responsável pela morte de Hannah, mas eu imagino a vida desse conselheiro que atende centenas de alunos e precisa dar a atenção correta a cada um deles e reponde por isso, o conselho da escola que deveria ajudá-lo esconde coisas assim como todo adolescente.

Todo o enredo mostra uma posição complicada para os envolvidos entre adolescentes sem autoestima, agressores, professores e pais. Acho que a maior responsabilidade é dos pais e é possível ver a mudança de Hannah com a família ao longo dos episódios, não tem como dizer que não havia indícios e pior a situação dos pais, depois da morte de não saberem o que a levou a fazer isso só mostra o quanto eles estavam mais afastados da filha do que imaginavam.

Por fim, quero dizer que eu entendo Hannah, há momentos na vida de quem sofre com depressão que acabar com a vida parece a melhor opção. Não encontramos saídas e nos vemos como o maior problema na vida de quem amamos, recentemente eu mesma pensei em fazer algo assim, na verdade eu não teria coragem de me matar, mas tinha vontade de morrer. São situações parecidas, mas não semelhantes. Ao assistir a cena de suicídio de Hannah eu me imaginei naquela situação. Depois de passar por tantos problemas e se sentir tão sozinha e abandonada ter aquele tempo, aquele intervalo entre cortar os pulsos e morrer definitivamente, seja a pior das solidões encaradas.

Essa série mexeu comigo de uma forma bem complicada, me vi na pele da Hannah, não por sofrer bullying mas por sofrer com a depressão e chegar a pensar que meu único fim era esse. Se você também se sente ou sentiu assim, procure ajuda, seja com quem for, não deixe de tentar continuar vivendo.