Igualdade social ou puro oportunismo?

A decisão do Congresso Nacional que aprovou o projeto que obriga todas as universidades federais reservarem 50% das vagas para alunos oriundos da rede pública, incluindo grupos étnicos /raciais mostra a importância do debate sobre inclusão social no Brasil. Como universitária acredito que dar privilégio a alguns, independente do motivo, é discriminação.

Entendo a responsabilidade “moral” que o governo se refere ao dizer que historicamente quem tem baixa renda não tem as mesmas oportunidades, mas essa distinção de classes só gera preconceito e ódio. Em muitos sites e grupos online já existem pessoas que mascaradas pelo anonimato, ou não, já declaram suas insatisfações e ofensas.

Não estou dizendo que a lei não facilita a vida de muitos estudantes, proporcionando àqueles que não tiveram a qualificação necessária na rede de ensino público conseguir um diploma superior. Mas em muitos casos, essa decisão só faz com que o Estado e a Prefeitura fiquem isentos de investir na Educação básica.

Sem contar que há famílias de baixa renda que se esforçam para conseguir uma educação de qualidade para seus filhos e acabam gastando mais que o próprio governo, com essa decisão todos seus esforços seriam nulos. Será que deixar de pagar por uma educação na qual seus filhos aprendem, para esperar ser “favorecido” pelo governo é a melhor opção? Ou pagar por um ensino no qual realmente se aprende e sofrer a desigualdade na seleção é melhor?

Realmente, a família que a inúmeras gerações nunca teve como fazer uma ascensão social não vai ter as mesmas oportunidades que as outras classes já favorecidas, mas ensinar o homem a pescar é melhor do que dar o peixe, já dizia o provérbio chinês. Ou seja, investir na educação é mais importante que qualquer projeto que reserve vagas para quem não pode usufruir dessa qualidade de ensino. Investimento não só no material didático, na merenda, ou nos salários dos professores. São investimentos em toda cultura desde a construção, preservação e talvez até nos conceitos utilizados para dizimar a informação pública nos meios de comunicação.

Privilegiar mais os menos favorecidos, só faz com que eles continuem como tal. São poucos os que almejam a vida de esforço e dedicação em um país onde tudo que você faz de ruim tem uma recompensa.

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