Preferências X Preconceitos

O que diferencia um crime de um direito de escolha?

Alguns de nós preferem comidas saudáveis, enquanto outros preferem fast-foods. Alguns preferem o verão, já outros o inverno. Preferência, em geral, é uma lista com gostos e desgostos que todos nós temos por muitas coisas. Normalmente, nossas preferências interferem apenas na nossa vida. No entanto, o que acontece com quem tem preferência para tudo? Preferir algo a outro não faz de ninguém um criminoso, afinal todos temos direito de gostar ou não de algo. Mas até que ponto a sua escolha não se torna um preconceito?

De acordo com a Psicologia Social, preconceito é definido como uma atitude negativa que um indivíduo está predisposto a sentir, pensar e conduzir-se em relação a determinado grupo. Mas para compreender e diferenciar o que é o preconceito, devemos entender primeiro como ele “nasce”. “O preconceito, assim como nossa preferência, nasce primeiramente de um conceito ‘ensinado’ por nossos pais, depois por professores, amigos, familiares, enfim. Por todas as pessoas que nos influenciaram ao longo de nossa vida desde bebê”, afirma a psicóloga Fabiana Luckemeyer.

Fabiana diz também que a diferença entre um e outro pode, de certa forma, estar apenas na nomenclatura.  “O preconceito é um sentimento discriminatório e segregador, ou seja mais nocivo. Está relacionado a julgamentos, frustrações, falta de generosidade e uma grande prepotência por parte de quem julga diante de seu preconceito. Normalmente, é seguido de uma resistência interna grande, pois não muda seus paradigmas diante da vida, não modifica seus conceitos anteriores. A pessoa tem menos flexibilidade, e provavelmente sofra mais”, afirma.

Já a preferência, está relacionada as experiências anteriores que não necessariamente envolve sentimentos negativos e separativista. Uma pessoa que diz “Prefiro o azul ao invés do vermelho”. Não significa que ela está excluindo o vermelho para sempre, apenas não irá utilizar naquele momento. “É um sentimento menos radical e polarizado. No entanto, se a preferência for muito limitada ou inflexível, pode tornar-se um preconceito”, conclui Luckemeyer.

Ricardo Alves* é estudante e possui como preferencia não ter como amigo alguns ‘tipos’ de gays. “Não gosto da maneira de se portar de certos gays, sabe aqueles mais escandalosos e que falam mole. Imagino que essa não é a natureza deles. (Não pode ser!) Até por que existem gays mais discretos, que não tentam agir como uma mulher. O que me incomoda não é o fato da pessoa ser homossexual, mas são suas atitudes.”

Quando questionado sobre o provável preconceito que possui, Ricardo* afirma. “É preconceito sim. Não que eu ache bonito falar isso, mas apenas assumo o que outros não fazem. Ninguém chama o outro de viado na intenção de elogiá-lo. É uma ofensa! Um preconceito que a sociedade tem, mas nem percebe. Assim como se faz com garotas de programa. Há preconceito com a ocupação dela e o que faz para ganhar a vida. Que mal há em ser puta? Julga-se o ato e não a pessoa. A partir do momento que eu deixo de me aproximar ou conversar com alguém unicamente por suas vestimentas, comportamentos ou atitudes, estarei sendo preconceituoso.”

Julgar pessoas por ter preferencias é um ato preconceituosos.  Então, não adianta exigir do mundo uma única forma de pensar, escolher ou se envolver. Afinal, como diz Fabiana, “as diferenças é que fazem da vida algo dinâmico e inteligente. Movem a economia, a cultura, a moda, ela é positiva na medida que se é respeitada”.

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