Projeto de tatuador baiano cria referências para tatuagens em pele negra

Repost – Correio 24 Horas

Quando Finho, 35 anos, começou a tatuar, no início dos anos 2000, percebeu que tinha algo estranho nos catálogos dos estúdios da cidade. Foi a mesma constatação do estudante Tiago Dias, 25, quando resolveu fazer sua primeira tatuagem, em 2013:  faltavam referências de pessoas negras. “A maioria dos desenhos que eu via era em brancos. Achar exemplos de peles negras é complicado”, conta Tiago.

Riscando a pele de pessoas há 15 anos, Finho também se deu conta de uma crença equivocada: que os traços não se destacariam na pele negra, baseada apenas no preconceito. “Percebi que muitos negros se tatuam, mesmo com essa noção esquisita. Isso acaba sendo mais uma barreira a ser quebrada”, defende.

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A percepção foi o pontapé inicial para o tatuador criar o projeto #pelepretatatuada, que quer criar referências de tatuagens para pessoas de pele negra. Há cerca de um ano, Finho se juntou à fotógrafa Helemozão e passaram a fotografar amigos e clientes negros e  suas tattoos. O projeto fez tanto sucesso que virou notícia no site americano Afropunk (afropunk.com) que fala de assuntos ligados à cultura afro e tem mais de 1.1 milhão de seguidores no Instagram e no Facebook.

Além disso, Finho passou a fazer desenhos que valorizam a diáspora africana, como cabeças de mulheres negras, destacando suas características físicas. Isso  criou outro projeto, o Cada Cabeça Uma África. “Ele é uma parte do #pelepretatatuada. Dei esse nome a uma série de desenhos que estou fazendo de mulheres africanas usando joias, óculos e outros acessórios”, diz.

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Deixado de lado o preconceito, para Finho, alguns detalhes devem ser lembrados quando se fala em tatuagem na pele negra. O primeiro deles é com as tintas. Essa foi uma das preocupações de Tiago quando decidiu se tatuar. “Resolvi fazer bastante sombreamento e evitar cores”, explica. “Meu tatuador sempre me disse que a pele negra perde nas cores, mas ganha com sombreamento”, afirma. Peculiaridades

A atenção maior deve ser com a cicatrização. “Como a pele negra tem mais tendência a fazer queloide, a gente manda ter mais cuidado”, lembra Finho. Tiago ainda aponta outro detalhe que pode evitar frustrações futuras com o desenho. “Busquei tatuadores que já tivessem tatuado pessoas negras, foi minha preocupação”, finaliza.

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