Cultura de Estupro é explicada através de palavras de William Shakespeare

Uma mulher acorda de repente, e, por um instante, fica desorientada. Ela junta suas roupas e ouve alguém tomando uma chuveirada. Presume-se que sejam os sons matinais de um parceiro que ela não fica contente em ver.

“Serei severa comigo mesma, mas não injusta”, ela fala. São palavras tiradas de uma peça intitulada “Dupla Falsidade”, que alguns estudiosos atribuem a William Shakespeare. “Terá sido estupro, então?”

É a cena inicial de um curta-metragem impactante produzido por Thaddeus Shafer, Kari Lee Cartwright e Charissa J. Adams. Intitulada “Was It Rape, Then?” (Terá sido estupro, então?), a história emprega versos das peças de Shakespeare para recriar uma multidão de experiências sofridas que podem nascer da cultura do estupro.

Adaptado de uma performance online de Charissa J. Adams para um show de teatro burlesco intitulado “Cabaret Consensual”, o curta-metragem acompanha várias mulheres em diversas situações sociais e seus pensamentos individuais sobre sexo não consensual. Ao longo do filme, um coro de mulheres questiona as injustiças cometidas contra elas, mas então converte sua dor em triunfos pessoais.

Shafer explicou que a finalidade do curta é explorar a gama nuançada de experiências que podem encaixar-se na descrição de “estupro”.

“Ficamos tão presos em nossas definições rígidas que pode ser difícil ser expressivo com as palavras sem colocar-se em um beco sem saída. Uma dessas palavras é ‘estupro’. Quisemos encontrar uma maneira de deixar que o estupro e as questões relacionadas a ele permeiem sem limites e sem a necessidade de dividir nossos protagonistas legalisticamente”, ele explicou. “Todas estão engajadas em uma só luta.”

Cartwright ecoou essa ideia e a levou adiante. Ela espera que o projeto faça os espectadores se sentirem “conectados, empoderados, incentivados e energizados”. Sua esperança é que o filme gere empatia pelas sobreviventes de agressões sexuais e que ultrapasse “a linha divisória rígida entre o que constitui ou não estupro”.

“Tudo isso vem acontecendo há milênios, não apenas nas situações mostradas nos 3,5 minutos de nosso filme”, ela comentou. “Somos solidárias com todas as vítimas das incontáveis formas de violência sexual em todo o mundo, em todas as classes sociais e culturas, de forma aberta ou sutil, em escolas, nas forças armadas e em comunidades minoritárias.”

*Originalmente publicado no HuffPost Brasil.

No Brasil, só no estado de São Paulo, foram registrados 943 casos de estupro em maio deste ano, o que representa aumento de 38,07% em comparação com o mesmo mês de 2016 ou 260 ocorrências a mais do que no ano passado. Na capital, os estupros subiram 22,28% no mês, o que representa um acréscimo de 41 registros.

Se isso não é de se assustar, o medo do estupro está presente nas nossas vidas, o tempo todo. Se você parar por alguns segundos e refletir, verá quantas vezes evitou passar por certos locais por medo? Quantas vezes mudou uma peça de roupa por medo? Isso tudo em boa parte devido a cultura do Estupro que se espalha tanto entre homens quanto em mulheres e nos faz ter medo, quando devíamos nos sentir protegidas.

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Mas, afinal: o que é essa cultura do estupro? É todo esse processo cultural que faz do estupro algo natural para o homem e responsabilidade da mulher, fazendo da vítima a responsável por algo que ela não fez.  Por exemplo: quando alguém fala “ah, fica andando com essa roupa curta? tá pedindo pra ser estuprada!”? Isso é fala da cultura do estupro. Ou quando nos ensinam a fazer coisas para evitar que isso aconteça com uma de nós? Também é!

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Nós mulheres precisamos dar um basta nisso! Nada justifica um ato de violência dessa natureza. E é aí que entra a sororidade, já falei sobre isso aqui. Mas relembrando:

Sororidade é reconhecer em outra mulher uma companheira, uma irmã,pois juntas somos mais fortes. Juntas, podemos lutar e combater o machismo e garantir a nossas filhas, irmãs, amigas, colegas, mães um futuro melhor.

Um futuro aonde ninguém abuse do nosso corpo e fique impune. Um futuro aonde a gente possa andar livremente independente da roupa ou da companhia.

Fonte – HuffPost Brasil e Moda de Negona

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